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Somos cidadãos do mundo

Resumir em poucas linhas a riqueza que tem significado para mim a viagem ao Congo e aos Camarões, não é fácil, mas vou tentar.

Lembro-me dum canto que cantávamos quando éramos jovens e que dizia algo assim como “somos cidadãos do mundo...” Pois bem, assim mesmo me senti eu, uma cidadã do mundo, uma cidadã sem fronteiras, uma peregrina a caminho. Uma peregrina caminhando junto a muitas outras peregrinas que decidiram partir ao deserto à procura duma terra mais fértil.  

Partilhar todas juntas, preocupações, sonhos e esperanças nos tem ensanchado os horizontes e sobretudo o coração. Nos sentimos membros duma grande família que supera as fronteiras, os limites geográficos, as línguas… a família das Missionarias Dominicanas do Rosário espalhada pelo mundo inteiro ao serviço dos nossos irmãos mais necessitados.

Juntas descobrimos que vale a pena voar em “v”, como nos ensinam as aves migratórias, pois desta maneira, apoiando-nos e animando-nos umas às outras, a travessia pelo deserto será mais fácil.

Disponibilidade, itinerância, coragem…palavras que presidiram aos nossos encontros e que nos convidam a permanecer atentas aos gritos dos nossos povos, escutando o seu clamor e partilhando com eles os seus sofrimentos e as suas esperanças. Sentíamos que voltava a arder dentro de nós o convite: “Ide por todo o mundo e proclamar a boa noticia a toda criatura”(Mc, 16,15)

Assim fomos desafiadas a ver mais além do que vêem os nossos olhos como os Nossos Padres Fundadores que sonharam com uma nova terra e apostaram tudo por chegar a ela, apesar de todas as dificuldades que encontraram no caminho: “Vi um céu novo e uma terra nova” Ap 21,1.

Como eles fizeram, nós também devemos soltar amarras e partir, caminhando sempre adiante com a certeza de que nesta aventura não estamos sós, o Senhor está connosco e isso nos basta, pois colocando as nossas vidas nas suas mãos estamos seguras que Ele nos levará à terra que mana leite e mel.
E termino por aqui, igual que comecei, com o canto de “Somos cidadãos do mundo”:

“Comigo podes contar …e deixarei a minha bagagem a um lado para ter bem abertas as mãos e o coração cheio de sol”
                                                                                                                      Raquel Gil
Missionária Dominicana - Moçambique

Testemunho

Joana, voluntaria, comunica a sua experiência de visita a Ilova, uma Comunidade, da zona rural, que pertence à Paroquia de Santos Anjos de Coalane, perto de Inhassunge -  MOÇAMBIQUE

Já o sol despontava quando iniciámos a nossa caminhada até Ilova, comunidade que pertence a Quelimane e se situa perto de Inhassunge. O grupo era constituído pela equipa de coordenação da catequese da paróquia dos Santos Anjos do Coalane representada pela Irmã Blandina, Sr. Macaco, D.Nivalda, Sr. Orlando e o Sr. Nyangacera. Com entusiasmo jovial juntaram-se a este grupo a mana Ângela, a mana Saquina e a voluntária Joana. Esta equipa tem a tarefa de levar até às comunidades distantes e isoladas uma lufada de entusiasmo, de motivação e de orientação, para que a catequese produza um novo olhar e um novo agir da fé cristã.

No caminho para a ilha de Ilova encontramos frágeis pontes que nos convidam a reflectir nas nossas fraquezas e de como nos deixamos levar, facilmente, pela corrente do desânimo. Repleto de planícies onde as mulheres deixam as suas forças e o suor nas plantações de arroz, ajudou-nos a reflectir sobre o sentido da vida. Os mangais verdes e as palmeiras espelham-nos a esperança de um novo mundo, mais justo e equitativo. A canoa que nos ajuda a atravessar o rio indica-nos os rumos que devemos seguir mesmo nas lutas que estabelecemos nas correntes da vida.

Próximo da comunidade esperavam-nos um grupo de crianças de vozes angelicais que nos davam as boas vindas. Entre cumprimentos e sorrisos, a alegria sentia-se naquela comunidade, que infelizmente não tem um padre. Depois das apresentações chega a hora da celebração da palavra. A bonita cerimónia foi falada e cantada em Chuabo. Após a leitura do Evangelho, Mt 22,15-25 ” Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” a Irmã Blandina e o Sr. Nyangacera explicaram o sentido dessa parábola.
Depois a equipa de coordenação juntou-se com os catequistas e iniciaram a reunião.

Por fim, reunimo-nos para o almoço para recarregarmos as energias para a caminhada até Quelimane. Assim passamos o dia envolvidos por alegria, num despertar para a fé na partilha da Palavra de Deus.

Joana Vieira – voluntária em Moçambique

Advento

MUITO QUERIDAS IRMÃS

“VIGIAI PORQUE NÃO SABEIS QUANDO VIRÁ
O DONO DA CASA”

Novamente iniciamos um novo ciclo litúrgico.
Este tempo litúrgico contém três elementos centrais: recordação vigilância e espera.

Recordação da primeira vinda do Messias, isto é, do primeiro Natal (Encarnação, é a expressão teológica para este acontecimento). Vigilância” não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir” (Mc) E espera, expectativa, esperança da segunda vinda de Cristo, quando Ele virá a “julgar os vivos e os mortos” (Escatologia).

Estes três elementos “teológicos” do tempo do Advento se unem à nossa experiência quotidiana de que Deus sempre nos vem visitar em diversas circunstâncias, acontecimentos, pessoas que nos rodeiam pelos quais Deus se comunica connosco.

É por isso, que neste tempo, somos convidadas, a atitudes de vigilância para reconhecermos os “sinais” da vinda de Deus na nossa vida diária.

Com atenta vigilância, alegre expectativa e renovada esperança, vivamos o Tempo do Advento retomando o seguimento de Jesus, tornando-nos, como ele, discípulas missionárias da vida e da paz, fazendo crescer em nós e em nossas comunidades a certeza de que ele continua vindo através da nossa presença. 

Somos convidadas a uma constante conversão, pois sabemos que nem sempre é fácil aceitar a vontade de Deus e continuar trabalhando para a construção de um mundo melhor.

Somos convidadas ao testemunho cristã, vivendo valores e mensagens do Evangelho, em todos os âmbitos de nossa vida.

Seríamos muito pobres se reduzíssemos o Advento, simplesmente, a um tempo de preparação para a festa do Natal. O Advento, tempo de espera, é baseado na expectativa do Reino e a nossa atitude básica é acender e renovar em nós esse desejo e esse ânimo. Num tempo marcado, pelo consumo, é preciso que afirmemos profeticamente a esperança.

No âmbito pessoal, intensificando o desejo do coração e retomando o sentido da vida. Mas a esperança é também colectiva: é o sonho do povo por justiça e paz – “fundir suas espadas, para fazer bicos de arado, fundir suas lanças, para delas fazer foices” (Is 2,4). A esperança é também cósmica:”A criação geme e sofre em dores de parto até agora e nós também gememos em nosso íntimo esperando a libertação” (Rm 8,18-23).

“O melhor da festa é esperar por ela”, diz um ditado popular. Do ponto de vista humano, a espera e a preparação de um acontecimento são tão importantes quanto o evento. Daí a necessidade de fazermos uma avaliação do que significa e de como vivenciamos o tempo do Advento nas nossas comunidades.

Seja Maria a caminhar connosco neste Tempo do Advento, rumo à celebração do nascimento de Cristo.
Feliz Advento

Com carinho.
Lisboa, 24 de Novembro de 2011

Ir. Maria Adelaide Varanda

advento

 

ENTREVISTA A INOCÊNCIA

Depois de seis anos ao serviço de animação da vida e missão das irmãs da Vigararia, queremos pedir-te, Inocência, que nos partilhes um pouco da rica experiência que tens vivido. Somos conscientes de como é limitada a proposta de uma entrevista mais,  mas ao menos, permite-nos que possamos ler «entre-linhas»  para perceber o mais  importante, «só visível com os olhos do coração».

  •  O que achas que tem ajudado mais a crescer e consolidar a vida e a missão da Vigararia?

Ir. Inocência: Não saberia muito bem como responder, sobretudo se tiver de pensar apenas nestes seis anos em que estive na coordenação da Vigararia. Isto porque se houve crescimento e realmente houve e muito! Temos que olhar para trás…”O tempo da colheita apenas começou, mas a sementeira vem de muito mais longe…”. As Irmãs moçambicanas formaram-se, cresceram e podem hoje estar à frente, quer dentro das comunidades, quer nos seus trabalhos profissionais, de tarefas de responsabilidade e o fazem com muita dignidade e competência.
Mas isto, como digo, é já “colheita”…
Sinto assim como que este crescimento se deu em três eixos que se articulam:

  • A confiança em si mesmas; b. O Amor ao Carisma; c. O Sentido de Pertença à Vigararia e Congregação.

Onde estiveram as bases?

  • A confiança em si mesmas. O crescer em confiança é próprio de todo o ser humano ao desenvolver as suas muitas capacidades e valores. Mas por vezes não se encontra aquele ambiente que favorece o crescer e o desenvolver dessa confiança de que “sou capaz, somos capazes”… Lembro o que me dizia uma Irmã, cheia de emoção e alegria, naquele já afastado ano de 2003, quando conduziam o carro carregado com as trouxas para a nova missão de Inhassoro: “Obrigada Irmã, sentimos que estamos na missão… Estamos a caminho da missão, como a nossa M. Ascensão e as primeiras Irmãs, porque as Irmãs confiaram em nós”!...
  • O Amor ao Carisma. Ajudou muito a assumir o Carisma, as experiências de inserção, logo desde as primeiras etapas, quer na comunidade do Chirangano, quer em Mahotas. A forma como vivemos a inserção, a maneira de atender, de escutar, de nos abrirmos aos que nos procuram…sempre os mais pobres….A participação comunitária nas festas e infelicidades do povo que nos envolve, o viver toda esta proximidade como elemento integrador formativo de um Carisma que tem como opção “evangelizar…e poderíamos dizer…deixar-nos evangelizar pelos mais pobres”…
  • O sentido de pertença à Vigararia e Congregação. Este sentido de pertença tem vindo em crescendo com o assumir progressivo da vida e da missão das comunidades. Mas já desde a Formação inicial foi muito importante o terem sentido a forte solidariedade das Irmãs da nossa Província e Congregação, não só, mas também, pelo apoio económico que ajudou as Irmãs a prepararem-se para a missão, como pelos múltiplos gestos de carinho que nos faziam chegar e…ainda hoje contribuem a isso! Bem hajam queridas Irmãs!

Ajudaram igualmente as Visitas Canónicas das nossas Irmãs Provinciais e Gerais, a participação nas Assembleias da Vigararia pelo maior número possível das Irmãs, assim como os laços sempre maiores que se foram fortalecendo com a equipa da Vigararia.
Hoje penso que sou objectiva ao dizer, que a Vigararia é mais sentida e acarinhada por todas, como “nossa”!
E não sei se posso juntar neste “crescendo” do sentido de pertença, o “embriãozinho” que está a nascer e que nos veio de um maior envolvimento de todas na preparação e no acompanhamento do nosso último Capítulo Geral: O desejo de “sermos enviadas”…

 

  • Desde o teu trabalho na Conferemo como vês a V. R. em Moçambique?

Ir. Inocência:  Que dizer desta minha experiência, por sinal muito grata, de pertença ao Conselho Permanente da CIRM CONFEREMO Nacional durante cinco anos?! Vou tentar dizer algo da minha experiência e deixar para o fim a resposta a uma questão tão complexa como a que me colocas…
Como dizia, foi uma experiência que me ajudou a crescer e a sentir mais próxima da nossa Vida Consagrada em Moçambique.
Ajudaram-me em primeiro lugar, as reflexões que fazíamos, sobretudo no procurar juntos os desafios que a V.R. nos lançava neste contexto moçambicano e como lhes responder. Não já desde “cada Congregação por si”mas envolvermo-nos todos e todas nesta procura.
Todos tínhamos muitas responsabilidades nas nossas Congregações, mas sentíamo-nos bem animados e animadas em ver que era por um trabalho conjunto que o Espírito nos empurrava a viver como consagrados hoje em Moçambique. Partíamos de diferentes experiências Congregacionais e consequentes distintas Espiritualidades, mas sentíamos desafios muito semelhantes:

  • Como formar as e os jovens para os ajudar a descobrir e a viver desde o essencial? (O combate ainda não vencido de “aprender a ser Irmã”…
  • Como fortalecer a Formação conjunta, através do empenho de todos nos Cursos de Vida Consagrada para Postulantes, Noviças e Junioras? Como fortalecer a Formação das e dos nossos irmãos Formadores? Quanta persistência em se ultrapassarem os obstáculos à criação da Escola de Formadores, concretizado já, graças a Deus?!
  •  Como trabalhar intercongregacionalmente, juntando forças humanas, recursos, não para que o específico de cada um se disseminasse, como se chegou a pensar, mas antes para que esse específico enriquecesse o conjunto?

Desta convicção de dar as mãos, e numa linha profética, tinha nascido, num grupo de reflexão e acção mais reduzido, o Projecto de luta contra o HIV_SIDA: o Projecto Hakumana, que foi acolhido para discussão e maior compreensão de todos, em várias das Assembleias Anauis.
Outra experiência que sinto significativa, foi a de participar na busca conjunta de uma maior comunhão com a CEM e deles connosco.
Claro que também fiz a experiência de que ainda não estamos todas as Congregações, convencidas de que só juntando forças, geraremos mais vida…Cada uma se queixa de que não tem gente para se responsabilizar nas diferentes Comissões, Projectos, Iniciativas, pois “somos poucas” mesmo para levar em frente “o nosso”! E não é que não haja objectividade neste olhar a realidade, mas como fazer-nos prioridades?! O que poderá contribuir para que a Vida Religiosa manifeste um rosto mais evangélico e mais profético? O povo, tem fome de formação, de Espiritualidade, os jovens bem o manifestam e o pedem, porque não juntarmo-nos e trabalharmos na criação de uma Escola de Espiritualidade?
E toco ainda outro desafio, que sinto como uma grande lacuna: Criar espaços de reflexão entre nós e com outras pessoas. Estarmos atentas ao que vive o nosso povo, a nossa Igreja, o nosso País, assim como à forma como avança, a passos de gigante, a evolução do nosso mundo… Se nos ficarmos com as respostas de sempre, perderemos o comboio da história!

  • Na realidade que vivemos, que desafios evangélicos percebes para nós?

Ir. Inocência: Eu penso que os desafios que referi para a V. Consagrada em Moçambique têm que ser também nossos, como é óbvio!
Todo o esforço na área Formativa, tem que continuar, não para que só se obtenham títulos, que também são importantes, mas para que esse estudo “cultivo da inclinação natural que tem todo o ser humano pela Verdade” (Constituições da Ordem Dominicana) nos ajude a ter e a viver com uma visão mais global, entrando no mais profundo das coisas, da realidade que nos rodeia e do nosso mundo, para podermos auscultar os sinais dos tempos.
Mas falando em geral, em nós como MDR em Moçambique e tendo em conta as Linhas força que nos vêm dos últimos Capítulos Gerais: “Missão Nova para um Mundo Novo e Reestruturação em fidelidade ao Carisma”, sinto que nós “ Vigararia jovem” somos desafiadas a:

  • Abrir-nos ao “pensar congregacional”, não como uma moda, mas convencidas que abrindo-nos à Congregação, nos vai ajudar a ter um olhar mais amplo sobre nós mesmas, sobre o nosso mundo concreto, como sobre os acontecimentos determinantes que se dão e que muitas vezes nos passam ao lado…
  • Temos que, para dar força ao anterior, criar e fortalecer a cultura da leitura, da reflexão e da partilha do que vamos aprofundando e vivendo. Sinto que a partir daí hão-de surgir respostas novas de missão no mundo dos pobres ao qual este olhar contemplativo da realidade sempre nos envia. E a nós nos ajudará a viver desse Essencial que vamos intuindo, às vezes como uma luz forte, mas outras ainda com muitas sombras fugidias… Não seria esta experiência “a porta de entrada” para aprender a viver com Mística?! Já dizia Karl Ranher que o cristão do futuro ou será místico ou não o será…E hoje diz-se que a mística será a característica do Homem e da mulher do futuro. Não nos animamos a iniciar este caminho ou a dar-lhe força?!

Afinal o sentido profundo da “reestruturação em fidelidade ao Carisma”, não é para nos abrir a um horizonte maior e mais englobante da realidade que somos e formamos, aprendendo a ler os sinais dos tempos, como o souberam fazer no seu tempo, M. Ascensão e Mons. Ramón Zubieta?!

  • Temos ainda o grande desafio de solidificar a experiência de unir forças na Formação conjunta em África. Já fizemos alguma primeira experiência e sentimos de verdade que será um grande contributo a que as nossas jovens irmãs logo nos seus inícios façam a experiência de que são…Missionárias! O que virá a contribuir sumamente para nos colocarmos em atitude de ENVIO! Claro que senti-lo-emos na carne, somos uma Vigararia pequena, pequeníssima, mas temos que aprender a dar desde a nossa pobreza…Com a convicção de S. Domingos ao enviar os noviços a pregar: “a semente apodrece quando fica junta”…

Oxalá este desafio seja abraçado por toda a congregação de modo que nos tornemos verdadeiramente Missionárias Dominicanas do Rosário. Adiante Misssionárias!

Bem hajas, Inocência, pela  tua partilha sincera e fraterna. Não duvides que, como dizia M. Ascensão, quando se faz o bem - da tua missão cumprida -  tarde ou cedo recolhemos os frutos e  tu és privilegiada porque o  fruto da gratidão e do reconhecimento à tua entrega sem medida,  nem condições, todas as irmãs já to ofereceram.

Bilene, Outubro de 2011

Livro homenageia mulher moÇambicana com 20 histórias de dignidade e coragem

As "histórias de coragem e dignidade" de 20 mulheres moçambicanas anónimas protagonizam o livro Kulugwana, que a congregação das Missionárias Dominicanas do Rosário lançam dia 13 de Novembro de 2011, em Lisboa para assinalar 50 anos de presença em Moçambique.

"São 20 histórias de mulheres que lutam com muita dignidade, com muita resiliência e coragem para sobreviverem. As irmãs queriam dar voz a estas mulheres, não só por elas, mas também para servir de exemplo a outras mulheres", contou à Lusa uma das autoras, Maria Clara Silva, que recolheu os testemunhos em 2010, quando fazia voluntariado numa das missões da congregação.

Tudo começou há três anos, quando a congregação celebrou 50 anos de trabalho missionário em Moçambique e as religiosas decidiram "homenagear algumas mulheres, extraordinárias na sua capacidade de superação e de manter o ideal vivo apesar das dificuldades que têm", como disse à Lusa a irmã Deolinda Rodrigues, da congregação em Lisboa.

"Três voluntárias que estiveram na missão concretizaram esse sonho", acrescentou.
Nas 115 páginas do livro encontram-se as histórias contadas pelas próprias mulheres e escritas por Maria Clara Silva, acompanhadas de 20 poemas, bem como 20 fotografias, da autoria de outra voluntária, a enfermeira Maria Paz Souto Moura. Uma terceira voluntária, a designer Maria Teresa Fontes, encarregou-se do design.
Professora de geografia na zona de Torres Vedras, Maria Clara Silva passou quatro meses e meio como voluntária na missão da congregação no bairro das Mahotas, a cerca de 18 quilómetros de Maputo, e foi ali que conheceu as protagonistas do livro.
"É uma zona suburbana de Maputo. Uma zona de muita pobreza onde as mulheres lutam com muita dignidade pela sobrevivência e sempre com a cabeça erguida. Foi isso que mais me impressionou", disse.

Quanto às histórias, "todas têm um traço comum: a situação de extrema pobreza e muitas vezes de solidão", porque os homens "são muitas vezes ausentes".A irmã Deolinda concorda: "Todas têm histórias de vida muito complicadas, muito duras. São pessoas que viveram a guerra, que têm histórias de isolamento, maus-tratos ou doenças graves como o VIH sida", conta.

"A dureza é o que transparece, isso e o desejo de querer ultrapassar, a força interior que têm para ultrapassar as dificuldades", acrescenta a religiosa, que recorda que quando há três anos houve uma catástrofe, na região de Inhambane, e as pessoas ficaram sem nada "as irmãs destacavam que não viram ninguém chorar".

"A reacção geral foi: Isto aconteceu, não temos nada, mas temos a vida. Vamos recomeçar. É muito expressivo da capacidade de luta da mulher" em Moçambique, contou. Clara destaca por seu lado as monitoras do centro social da congregação nas Mahotas, que são alfabetizadoras: "Começam analfabetas e chegam a professoras".

O livro, cujo título em ronga é um grito de exaltação e alegria, foi lançado em Julho em Moçambique e é apresentado hoje (sábado) à tarde na livraria Ler Devagar, em Lisboa. Custa 10 euros e o valor reverte para bolsas de estudo em Moçambique.
As Missionárias Dominicanas do Rosário têm cerca de 30 irmãs nas quatro missões em Moçambique. Algumas são europeias, mas a maioria é já moçambicana.

Rádio Moçambique

13 de Novembro de 2011

CARTA DO JORGE… DESDE TIMOR

Creio que devo fazer um pedido de desculpa pelo atraso no envio de novidades. Por aqui, o ritmo é rápido e nem sempre se consegue ter tempo/disponibilidade para escrever.
A vida no Colégio corre dentro da normalidade, as meninas continuam lindas como sempre, estudam para que um dia transformem a realidade timorense. Essa é pelo menos, a esperança que tenho para o futuro de Timor. Que seja um país que traduza aquilo que o povo deseja para si mesmo. Aqui, é incutido às jovens o valor de viverem de acordo com as suas possibilidades, o de viverem com a noção de que comandam os seus sonhos e que a ambição de tornarem Timor diferente depende delas.
Por isso estudam, por isso aprendem aquilo que certamente não teriam possibilidade de estudar e aprender em suas casas.
Tenho dito que a realidade timorense não é aquilo que acontece aqui em casa. Lá fora, sente-se uma espécie de inércia no povo. Uma espécie de espera contínua e despreocupada por algo. Sente-se pouca vontade de lutar por algo, se calhar porque já esgotaram todas as forças na luta pela sua independência, ou se calhar porque aprenderam a viver da caridade, não sei.
O que sei é que à semelhança do que acontece em muitos outros países, sente-se também a injustiça, que aloca a riqueza a alguns, em detrimento de a dividir por aqueles que mais necessitam.
Essa é outra das coisas que as crianças e jovens aprendem aqui, que são uma família, e que a família não se mede pelo número de membros que a compõe, são um todo, por isso partilham o que têm entre si, mas também entre aqueles a quem é possível ajudar no exterior.
Este é, na minha opinião, o maior atributo de alguém que faça parte da Família Cristã, o saber partilhar e ter noção de que o que temos não nos pertence só a nós, mas a todos aqueles com quem fazemos Comunidade.
As actividades aqui no Colégio não param, o ritmo é acelerado e a imprevisibilidade uma constante. Nunca sabemos o que o dia seguinte nos reserva.
Sabemos sim, que poderemos aprender algo com aquilo que vamos vivenciando e experimentando ao longo dos dias.
Nem tudo corre como planeamos ou como idealizamos, por vezes, o que desejamos não se realiza, e nisto, refiro-me ao desejo que tinha em poder trabalhar com jovens que vivem do lado de lá dos muros do Colégio.
Aprendemos mais em Missão e com as experiências de missão, do que aquilo que julgamos vir ensinar ou transmitir.
Fiquei muito contente por saber da possibilidade de vir outro Voluntário. Desejo que o número de voluntários aumente aqui em casa. Isso traria muita alegria às meninas e certamente pintaria este espaço de mais cor e diversidade.
É com cor e diversidade que se criam vontades novas, sonhos imaginados e metas a atingir.
Aqui em Timor, existe como que um fosso, que separa o homem e o seu papel na Sociedade, com a mulher e a sua luta pela notoriedade social.
Existe como que um respeito inexplicável ao homem por parte da população feminina, um respeito doentio que se traduz em exemplos por vezes degradantes do ponto de vista humano.
Por esse motivo, sentia por vezes, quando cheguei aqui pela primeira vez e no primeiro ano, este espaço psicológico da parte delas que nos separava, agora sinto que se quebraram barreiras, que se ganhou uma confiança diferente que nos toca de forma mais profunda. E mesmo sem ter necessidade de fechar os olhos, sei e assumo que o futuro me fará ter recordações felizes e inigualáveis.
Há um outro aspecto da vida aqui no Colégio, que certamente será diferente para uma grande maioria de voluntários enviados em Missão. Aqui, os voluntários vivem literalmente em Comunidade, partilhando o mesmo espaço com as Irmãs.
Isso implica uma vida (quase) comum. Viver em comunidade é uma experiência mais profunda que viver em família. Quando partilhamos a nossa casa com a nossa família, não nos vemos com a frequência com que acontece numa vida em Comunidade, ou porque estudamos, ou porque trabalhamos…
Aqui não…somos convidados a permanecer em família 24h por dia. Como em família, há dias bons, e dias menos bons, mas há também a certeza de que o que nos une é um mesmo ideal e foi com base nesse ideal, que todos nós fomos conduzidos para este mesmo local.
Esta comunidade é um exemplo de paz e reconciliação, pois só desta forma o impossível se torna possível...e não imaginam a quantidade de milagres que temos sorte de presenciar neste espaço.
Agora despeço-me com um abraço de Timor,

Jorge Mestre

A Missão na casa Provincial e de Acolhimento

ANO NOVO de 2012

Já iniciado o Ano de 2012 celebrámos no Lar de Nossa Senhora do Carmo (situado muito perto da nossa casa) com os irmãos e irmãs idosos a primeira eucaristia do ano. Toda a gente se esmerou por fazer o melhor que sabia e lhe era possível. As artistas engalanaram as salas e corredores, que ficaram maravilhosamente bonitos, com motivos de Natal. Na cozinha havia azáfama para preparar: as rabanadas, as filhós, os bolos e o arroz doce e muitas mais coisas.

E chegou a parte mais solene – a celebração da Eucaristia. Vieram os grupos das cantoras da Paróquia que vinham felizes para alegrar a festa. Os idosos também colaboraram nas canções e nas poesias.
O P. Neves como bom psicólogo, temendo que as 15 horas eram a hora da sexta, aconselhou a que todos ficassem sentados e na homilia falou-lhes ao coração convidando ao louvor e agradecimento ao Senhor por estar connosco e nos dar longa vida.

No dia seguinte a festa continuou na nossa casa. Houve corridas de cadeiras de rodas desde o Lar até à nossa casa: umas puxados à mão, outras metidas na carrinha, e alguns outros a pé.

Contemplaram a beleza da capela desde a porta, e rumámos à sala da comunidade por ser o lugar mais acolhedor e propício às necessidades das pessoas. O “estacionamento” nesta sala levou o seu tempo e paciência que amenizámos com os Cânticos de Natal.

A seguir rezámos com solenidade o Terço, o qual foi muito participado por todas as pessoas presentes, desde a proclamação dos Mistérios Gozosos à prece espontânea e partilha da vida. Antes de beijar o Menino Jesus houve um momento de silêncio para cada pessoa se encontrar com Ele de forma especial e depois seguiram-se os pedidos da paz entre nós, nas famílias. No país e no mundo.

No fim fizemos um longo convívio com um bom lanche. Não se cansavam de comentar que bom era o chá das irmãs, sobretudo amenizado com anedotas e adivinhas e muita alegria. E no fim chegou a hora do regresso ao Lar. Voltaram felizes por estes momentos.
E nós louvámos a Deus pela oportunidade de fazer felizes estes idosos nossos vizinhos.
Obrigado Senhor!

 

Passagem de Ano na Comunidade Provincial e de Acolhimento

O último dia do Ano 2011, dia 31 de Dezembro a Comunidade organizou e preparou a Celebração da Eucaristia com a participação dos nossos vizinhos, aos quais dirigimos um convite.

O presidente da Eucaristia foi Frei Filipe, dominicano, do Convento Dominicano do Alto dos Moinhos – Lisboa. Foi grande a assistência e participação dos nossos vizinhos enchendo rapidamente a Capela, acompanhando-nos nesta celebração a comunidade de irmãs da Venda Nova. A Liturgia Eucarística da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, preparada pela Irmã Adelaide e a homilia ajudaram a viver bem esta festa e a tomar maior consciência do dom da Paz e da sua necessidade em todos os tempos e lugares. Agradecemos ainda a Deus todas as bênçãos e dons que Deus nos concedeu ao longo do ano de 2011.

No fim da celebração da Eucaristia convidámos todas as pessoas a passar à sala da Biblioteca para confraternizar, conviver e tomar um Porto. Alegrámo-nos com os nossos amigos e amigas vizinhos desejando-lhes um bom Ano 2012.
Por fim as duas comunidades de irmãs jantámos juntas acolhendo com esperança o Novo Ano que ia começar.

Comunidade Provincial e de Acolhimento - Lisboa

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