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50 º aniversário do martírio das nossas Irmãs

"Ninguém tem maior amor do que dar a vida pelos seus amigos "Jo 15, 13)

Nieves Campión MDR

Há cinquenta anos, as Irmãs Missionárias Dominicanas do Rosário, vivemos um acontecimento de muita dor, e, ao mesmo tempo carregado de um salutar orgulho.

 

Dor, porque quatro irmãs da Congregação, jovens missionárias, morriam assassinadas em África, no decorrer da guerra no Congo, país de recente independência da colonização Belga, no qual se vivia um período de instabilidade, com lutas apoiadas e suportadas por interesses externos. O Congo era uma presa valiosa e havia muitos interesses em controlá-la.

Orgulho, porque as irmãs, com a decisão que tomaram de acompanhar os mais pobres, débeis e indefesos, selaram com o seu sangue, a coerência cristã do seguimento do Mestre, e testemunharam até onde nos pode conduzir este seguimento.

 

Não aconteceu porque a revolta as apanhou de surpresa, viram-na ganhar corpo, surgir e converter-se no caos, do qual tiveram oportunidade de fugir, mas não o fizeram. Os doentes, pobres e abandonados de todos não tinham possibilidade de sair e necessitavam-nas. Não quiseram voltar-lhes costas.

É justo recordar que neste momento a Congregação tinha em África 5 comunidades; eram em total 27 irmãs, nenhuma abandonou a Missão tendo sido todas presas e submetidas a diversas torturas. Posteriormente 23 delas foram libertadas pelas tropas internacionais que intervieram na contenda; enquanto, as 4 irmãs da pequena comunidade de Stanleyville eram fuziladas e decapitadas, junto a outros prisioneiros. A decisão de ficar custou-lhes a vida.

É uma memória, que se converte num Desafio. Uma memória que questiona, (de certa forma subversiva, uma memória que nos confronta, com o hoje e agora, das nossas presenças e opções), tanto à Congregação como a todos, os que participam de alguma maneira do nosso Carisma e Espiritualidade.

 Cada momento histórico, cada situação, tem os seus desafios próprios, hoje, também há compromissos solidários, testemunhos onde jogar a vida pelos irmãos. O testemunho quotidiano do serviço aos mais pobres, o compromisso com as suas lutas, a defesa da sua vida, o enfrentar as dificuldades, e, as críticas dos que não querem que nada mude, é um testemunho que também põe a vida em risco e que nos é pedido a cada uma, e, a cada dia. Por isso, esta memória faz-nos uma grandíssima pergunta: ELLAS ASSIM… E NÓS? COMO PARTILHAMOS, HOJE, E ASSUMIMOS O MARTIRIO DOS NOSSOS POVOS?

Como Missionárias Dominicanas estamos metidas, por inteiro, num processo de reestruturação, que envolve, procura, despojamento, conversão, etc. etc. mas que, sempre, deverá ser PERMANENCIA junto das vítimas do egoísmo, da manipulação, da fome, e, das mil mortes que infligem aos povos, aqueles que matam as suas esperanças, o seu futuro e a sua vida. Sim, para isto, também hoje, se necessitam “espíritos fortes”, como dizia Madre Ascensão.

Celebrar esta data, significa, cada ano, a obrigação de rever o nosso testemunho e compromisso com a transformação dos povos, secularmente, e, cada vez mais, oprimidos, para que as nossas queridas irmãs Mártires possam sentir-se orgulhosas de nós. Deixaram-nos um paradigma muito alto da sua vivência da solidariedade até à morte. Não nos atrevamos a converter esta memória em simples “celebração”.

 

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